18.10.08

Carta Aberta ao STJD

À Minha torcida:

Dirijo esta mensagem à aqueles que tem um pedaço de mim em seu coração. À todos aqueles que, quando vêem a camiseta listrada, se emocionam. Aos milhões que tem, nessa hora, a justa revolta em seus corações.

Tenho 105 anos de vida, e apesar a idade, rejuvenescido a cada dia que passa. Apesar de você, meu adepto, estar assustado com o que aconteceu nos tribunais, eu não me preocupo tanto. Em minha vida, as dificuldades não são novidade. Os anos negros e sem conquistas não foram mais do que o combustível para saltos ainda maiores. Enquanto a Europa se digladiava nos anos 40, eu sofri sob o jugo do vizinho Rolo Compressor. Minha resposta foi a de um estádio novo e 12 Gauchões em 13 anos. Enquanto o país sofria com o AI-5, eu lambia as feridas de uma época vermelha. Isto apenas serviu de motivo para que eu transformasse minha casa no Monumental e conquistasse o mundo. Nessa conquista maior, aliás, dificuldades não faltaram. Quem sobreviveria, afinal, a sofrer o empate depois dos 40 do segundo tempo e a necessidade de uma penosa prorrogação?

Os anos 90 começaram mal. Passei 1992 nas trevas e foi preciso que a quase totalidade da Seleção Holandesa necessitasse dos pênaltis para parar a minha fúria em Tóquio. Me recordo que naqueles anos disputei um jogo terrível em Salvador, 3X3, para dois ou três dias depois enfrentar o flamante Corinthians em São Paulo, e no dia desta peleia um certo jornal esportivo da capital paulista sentenciou em letras garrafais "O Grêmio está morto". Depois que o morto venceu com um sonoro 3X0 não se falou mais no assunto...

Depois de ter, no meu aniversário de 100 anos, um ano diferente do que eu esperava, caí doente aos 101 e desci novamente para as labaredas. Não faltaram aqueles que vaticinassem minha morte. Tolos!

Sete homens em campo, poucos e heróicos abnegados nas arquibancadas e um povo no Sul. Não precisei mais do que isto para provar minha imortalidade à todos os abutres que preparavam sua festa macabra. Até mesmo a volta olímpica chegaram a dar, antes mesmo do fim. Para estes o castigo, em minha opinião, foi até duro demais. Mas cair em linha contínua da Série A para a Série D é um bom exemplo de como é duro me desafiar.

Continuei minha resposta nos anos seguintes, apenas sendo parado por um time de força e qualidade incomuns, que bem fazem jus ao azul de sua camiseta.

Este ano, mais problemas. Mas a resposta veio mais rápida ainda. Meu antigo vizinho e desafeto da beira do lago, está pagando o justo preço por ter agredido covardemente meu afilhado da Serra. Este, desaforadamente, me desafiou em minha casa. Pagou o preço. Meu vizinho escarlate, que inclusive usou de uma forma abusada seu folclórico arqueiro para marcar seu oitavo tento, chafurda na lama no restante do ano, tendo como pífios atenuantes minha eliminação em um torneio que absolutamente não nos interessa, e uma vitória sobre mim que foi fruto exclusivamente de minha desatenção momentânea. Aliás, o goleiro citado acima também cumpre sua merecida pena por agredir meu "guri".

Mas assunto de agora é a chamada "Justiça" Desportiva. Me dilaceram tentando me prejudicar. Atacam-me pelas costas para atingir seus objetivos obscuros. Coitados. Nem sei quem são eles, apenas inquilinos de uma corte da qual em vez de sérios não são mais que bobos. Pensam que, ao arrancar de mim alguns bons jogadores, podem me derrubar. Dois anos atrás me expulsaram de casa, fazendo-me atuar na casa do rival do meu filho serrano, em sua acanhada, porém aconchegante casa. Pífios! Respondi com 3 vitórias inquestionáveis e mudaram de idéia. Agora novamente pensam que me prejudicam. Erram, pois não sabem de onde tiro minha força e minha imortalidade. Mas agora revelo este "segredo" tão precioso.

Retiro minha força e juventude de você. Meu torcedor. De você que canta atrás do gol da Cascatinha. De você que assiste no conforto de minhas cadeiras e camarotes. De você que assiste pela TV e ouve no rádio. De você de Porto Alegre, de Uruguaiana, de Cuiabá ou de Nova Iorque.

Enquanto você se arrepiar ao ver meu distintivo, se emocionar ao ver meus atletas subindo do vestiário para a cancha, mentalizar a cena de um gol meu ou de uma defesa de meu grande goleiro ao ouví-la em um rádio de pilha na zona rural, eu viverei.

E para você eu digo. Não estou morto.

Acho, aliás, que o Maestro Mendanha era meu torcedor, sem saber. Você sabe a canção que ele compôs, ela ecoa em minha casa. "Mas não basta, pra ser livre, ser forte, aguerrido e bravo. Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo".

Acredite em mim. Sempre respondi às ofensas, e a esta também responderei. Mas preciso de uma coisa, sem a qual eu não conseguirei. Você. Preciso da sua crença, da sua fé. Você já me apoiou até aos 66 minutos do segundo tempo em Recife. Continue assim. Eles saberão que mexeram com quem não deveriam.

Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense
Fonte: Comunidade do Grêmio

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